Poucas pessoas foram mais interessantes e, consequentemente, mais polêmicas do que Christopher Hitchens. Para quem não conhece Hitchens, ele foi um polemista, jornalista, debatedor e autor britânico-americano de inúmeros livros sobre questões sociais que afligem o mundo moderno. Entre suas obras mais notáveis estão "O Julgamento de Henry Kissinger" e "A Posição Missionária: Madre Teresa em Teoria e Prática". E, embora o foco de seu trabalho fossem temas sérios, ele também recorria muito ao humor, sendo ele próprio uma pessoa bastante engraçada em certos momentos.
É claro que, sendo tão polêmico quanto era, é seguro dizer que Hitchens não era nenhum santo. Na verdade, ele nem acreditava neles. Hitchens era bastante vocal sobre o ateísmo e se declarava um antiteísta. Sua postura em relação à guerra mudava de tempos em tempos, dependendo se era no Oriente Médio ou nos Bálcãs. Além disso, Hitchens tanto apoiava quanto criticava presidentes americanos como Bill Clinton e Bush, o que o tornava uma figura ainda mais interessante.
A importância do falecido autor britânico-americano Christopher Hitchens
Nascido em Portsmouth, Inglaterra, como Christopher Eric Hitchens, Hitch, como era chamado, foi um dos intelectuais públicos mais proeminentes da Grã-Bretanha. Embora filho de um comandante da Marinha Real Inglesa, Hitchens tornou-se trotskista assim que ingressou no Balliol College, em Oxford, no final dos anos 60. Concluiu seus estudos com bacharelado em filosofia, política e economia em 1970 e mudou-se para Londres para trabalhar como jornalista.
O início de sua carreira incluiu trabalhos em várias agências de notícias e revistas. Alguns de seus papéis mais importantes nesses anos foram na revista de esquerda New Statesman, no Daily Express, além de colaborações para The Atlantic, Slate e The Nation, para a qual escreveu sua coluna Minority Report enquanto estava em Nova York e Washington.
Um dos primeiros atos notórios de Hitchens foi sua defesa pública de Salman Rushdie, seu amigo, autor de "Versos Satânicos". A posição de Hitchens era clara: ele era a favor da liberdade de expressão, independentemente de concordar ou não com o que era dito. Alguns anos depois, ele se tornou editor colaborador da revista Vanity Fair, além de publicar duas de suas obras essenciais: "A Posição Missionária: Madre Teresa em Teoria e Prática" e "O Julgamento de Henry Kissinger".
Durante os anos 90 e o início dos anos 2000, Hitchens frequentemente aparecia na televisão, debatendo com outros intelectuais e comentando eventos políticos do mundo. Entre suas obras populares desse período estão "Por Que Orwell Importa", "Thomas Jefferson: Autor da América", "Os Direitos do Homem de Thomas Paine" e "Deus Não É Grande: Como a Religião Envenena Tudo". Ele também formou um quarteto ateu com Sam Harris, Richard Dawkins e Daniel Dennett.
Os livros mais conhecidos de Christopher Hitchens
Embora Christopher Hitchens tenha escrito muitos livros, ensaios e artigos interessantes, não podemos abordar todos eles. Na verdade, só podemos resumir cinco de seus livros mais notáveis, mas eles já serão mais do que suficientes para apresentá-lo a Hitchens e às suas visões instigantes sobre o mundo. E o melhor: alguns deles estão disponíveis na Speechify em formato de audiolivro para você ouvir.
Deus Não É Grande: Como a Religião Envenena Tudo (2007)
Em seu livro de 2007, "Deus Não É Grande", Hitchens apresenta seu argumento sobre a religião organizada e por que ela seria a raiz de todo o mal na Terra. Ele sugere que a religião é irracional e intolerante, e que se alia ao tribalismo e ao racismo para impedir o progresso humano. Composto por 19 capítulos, o foco principal está nas religiões abraâmicas, mas Hitchens também aborda brevemente as religiões orientais.
Hitch-22: Memórias (2010)
Para quem compartilha das opiniões de Hitchens, suas memórias de 2010, "Hitch-22", provavelmente são o melhor livro que pode encontrar. Infelizmente para Hitchens, este foi seu último livro. Sua turnê de divulgação foi interrompida devido ao diagnóstico de câncer no esôfago. Aliás, você pode ouvi-lo aqui mesmo na Speechify, narrado pelo próprio autor.
O Ateu Portátil: Leituras Essenciais para o Não-Crente (2007)
Lançado em 2007, "O Ateu Portátil" é uma coletânea de diversos textos ateus e agnósticos, editados por Christopher Hitchens. O livro inclui obras de nomes como Benedict de Spinoza, Bertrand Russell, Karl Marx, Albert Einstein, Sam Harris e Richard Dawkins, além de textos originais de Salman Rushdie e Ian McEwan.
Cartas a um Jovem Contraditório (2001)
Inspirado por seu tempo na The New School, em Nova York, "Cartas a um Jovem Contraditório" é dirigido ao leitor — ao Meu Querido X — e explica diversos métodos de debate e posturas contrárias que alguém pode adotar ao confrontar outras pessoas. O livro faz referência a vários grandes pensadores, incluindo George Orwell e Émile Zola, que inspiraram Hitchens e o ajudaram a formar suas opiniões.
O Julgamento de Henry Kissinger (2001)
Se você busca Hitchens em seu momento mais polêmico, deve ouvir "O Julgamento de Henry Kissinger" aqui mesmo na Speechify. Trata-se de um livro sobre os supostos crimes de guerra do ex-Assessor de Segurança Nacional e Secretário de Estado dos EUA, Henry Kissinger. Hitchens assume o papel de promotor ao acusar Kissinger de crimes de guerra no Vietnã, no Chile e em outros países.
As visões políticas polêmicas e o ativismo de Hitchens
Hitchens era repleto de afirmações e ideias controversas, disso não há dúvida. Ele acusava a Igreja Católica de fascismo, previu a presidência de Donald Trump já em 2000, além de criticar Noam Chomsky e, às vezes, até a União Europeia. Ainda assim, suas opiniões políticas mais infames foram o apoio à intervenção ocidental contra a Iugoslávia nos anos 90 e no Iraque em 2003.
O legado deixado por Hitchens
Hitchens deixou uma marca inegável sobre como percebemos as últimas décadas — seja politicamente, sociologicamente ou de qualquer outra forma. No entanto, é lembrado com mais carinho como um defensor da liberdade de expressão. Embora isso frequentemente lhe causasse problemas, ele estava disposto a dizer o que pensava sempre que achava necessário.
Perguntas Frequentes
O que aconteceu com Christopher Hitchens?
Christopher Hitchens morreu de câncer em Houston, em 2011.
Christopher Hitchens era marxista?
Embora tenha flertado com várias ideologias e ideias políticas ao longo dos anos, Hitchens se considerou marxista até sua morte.
O que Christopher Hitchens disse sobre a Princesa Diana?
Hitchens considerava a Princesa Diana uma mulher tola e superficial, e não lhe dava muita atenção até sua morte e a cobertura midiática do acidente. Foi só então que ele começou a falar dela de maneira negativa, despejando várias ofensas.

