Uso de filtros coloridos para dificuldades de leitura
Existem diversas ferramentas e técnicas eficazes para ajudar crianças e adultos com dificuldades de leitura a melhorar a compreensão. Entre elas estão os filtros coloridos, criados para destacar as palavras.
Mas qual é, de fato, a eficácia dos filtros coloridos para pessoas com dislexia? Este artigo analisa a eficácia dos filtros coloridos e como o Speechify pode contribuir para o desempenho e a fluência na leitura.
O que são filtros coloridos?
Filtros coloridos, ou folhas coloridas, foram desenvolvidos para tornar a leitura mais acessível a pessoas com distúrbios de processamento visual, que podem afetar a leitura. Eles são especialmente úteis para quem tem dificuldade de manter o foco visual, algo comum em pessoas com autismo, ou para quem apresenta estresse visual, conhecido como Síndrome de Meares-Irlen.
Há diversos tipos de filtros coloridos. Os dois mais comuns são as folhas e as lentes. As lentes coloridas são colocadas nas armações dos óculos, enquanto as folhas coloridas são lâminas finas posicionadas sobre o texto impresso. Esses filtros são divulgados por diferentes grupos e frequentemente chamados de "Método Irlen". (Mais informações podem ser encontradas no artigo de 1990 intitulado “Irlen lenses: A critical appraisal”, publicado no Journal of the American Optometric Association e disponível no PubMed.)
Os filtros coloridos foram desenvolvidos para amenizar dificuldades de leitura causadas por distúrbios do processamento visual, destacando o texto e criando a impressão de que as palavras estão sobre um fundo colorido. Eles funcionam alterando o comprimento de onda de cada cor, o que modifica a velocidade dos sinais enviados dos olhos ao cérebro. As lentes coloridas também ajustam seletivamente a velocidade dessas informações para restabelecer o equilíbrio na percepção do texto pelo usuário.
Um estudo inicial sobre dislexia e visão foi publicado em 1991. Sob o título “Study Ties Dyslexia to Brain Flaw Affecting Vision and Other Senses”, os autores demonstraram esperança de que os achados ajudassem a detectar a dislexia ainda na infância, possibilitando intervenções precoces.
No entanto, em julho de 2009, uma edição da revista Pediatrics trouxe um comunicado conjunto sobre dificuldades de aprendizagem, dislexia e visão. Divulgado pela Academia Americana de Pediatria, pela Academia Americana de Oftalmologia e pela Associação Americana de Oftalmologia Pediátrica, entre outros, o texto questionava a validade desse tipo de tratamento.
Filtros coloridos ajudam na dislexia?
Diz-se que lentes coloridas ajudam a reduzir vários problemas de leitura, como baixa velocidade de leitura, falta de precisão, dificuldade de compreensão e estresse visual. Todos esses sintomas são comuns em pessoas com dislexia.
A teoria do uso de filtros coloridos como tratamento deriva dos casos de dislexia atribuídos à Síndrome de Sensibilidade Escotópica (SSS), também conhecida como Síndrome de Irlen ou Síndrome de Meares-Irlen.
Vários estudos abordaram o tema, incluindo um artigo de Della Sala. Um estudo realizado por Wilkins et al. avaliou a eficácia dos filtros coloridos em problemas de leitura associados à dislexia, mas os resultados foram controversos. Participantes com e sem dislexia foram convidados a escolher a folha colorida de sua preferência para os testes de leitura.
Os autores de uma revisão sistemática (Evans, Henderson, Ritchie, Wilkins, entre outros) concluíram que os filtros coloridos não são eficazes para melhorar a fluência e a precisão da leitura em adultos e crianças com dislexia, de 7 a 32 anos.
Quem se beneficia dos filtros coloridos?
Cerca de 30% da população apresenta distorções visuais e ilusões ao olhar para listras pretas e brancas com determinada largura e espaçamento. Algumas pessoas têm dificuldade para ler texto preto sobre fundo branco devido à hipersensibilidade do córtex visual a certos comprimentos de onda. Isso é chamado de estresse visual, Síndrome de Meares-Irlen ou Síndrome de Irlen. Supõe-se que essa condição esteja relacionada à sensibilidade a certas frequências do espectro de luz. Os sintomas incluem:
- Sensação de que o texto se move
- Leitura lenta ou pouco eficiente
- Letras escurecendo, sumindo ou desaparecendo
- Aparecimento de padrões
- Dor de cabeça ou cansaço nos olhos
- Sensibilidade excessiva ao brilho, à luz solar, à luz fluorescente ou à luz intensa e, às vezes, à luz noturna
- Cansaço ao ler
Optometristas observaram que lentes ou filtros de Irlen aplicados sobre o texto podem amenizar sintomas de estresse visual. Ao filtrar o comprimento de onda problemático, o texto fica mais nítido, reduzindo o cansaço ocular e as dores de cabeça.
Tratar dificuldades de processamento visual não faz, por si só, com que uma pessoa com dificuldades de aprendizagem melhore a leitura. O estresse visual é diferente da dislexia, embora seja mais frequente em pessoas disléxicas. Pessoas com ou sem dislexia podem ter estresse visual. Isso gerou confusão e levou à crença de que a dislexia pode ser tratada com filtros coloridos.
Como encontrar o filtro colorido adequado
O filtro colorido mais confortável geralmente é encontrado por tentativa e erro. Você pode comprar folhas coloridas na Amazon e testar cada cor colocando-a sobre o texto preto em papel branco. Leia por pelo menos um minuto e registre a velocidade e a precisão da leitura para cada cor usada. Observe se acontece o seguinte em cada teste:
- As palavras se movem, piscam ou tremem?
- Surgem padrões estranhos nas palavras?
Para evitar o efeito placebo, observe se os mesmos benefícios continuam depois do teste, ao ler com o filtro escolhido.
A tentativa e erro pode ser uma forma eficaz de encontrar o filtro colorido mais adequado.
No entanto, pode ser necessária uma avaliação profissional para saber se a pessoa tem Síndrome de Irlen; o diagnóstico deve ser feito por um especialista habilitado. Oftalmologistas e optometristas licenciados fornecem lentes coloridas para tratar dificuldades de processamento visual, mas nem sempre dispõem de um processo adequado para selecionar filtros coloridos, e a escolha errada pode agravar os sintomas.
Use o Speechify para superar dificuldades de leitura
Embora o uso de filtros coloridos seja comprovadamente útil para aliviar o estresse visual, pessoas com distúrbios de aprendizagem específicos ou dificuldades de compreensão de leitura precisam de outra abordagem. Speechify é uma poderosa tecnologia assistiva para leitura. O serviço converte texto em voz para apoiar pessoas com dificuldades de leitura. Ele lê textos de páginas da web, documentos e imagens com voz clara e natural. Mais de 20 milhões de pessoas já baixaram o app, que acumula mais de 150.000 avaliações de 5 estrelas.
Ler e ouvir ao mesmo tempo melhora a habilidade de leitura, a fluência e a precisão. O Speechify destaca o texto durante a leitura e permite ajustar a velocidade. Experimente o Speechify hoje mesmo baixando a extensão para Chrome ou o app para iOS e Android.
Perguntas frequentes
Filtros coloridos ajudam na leitura?
Filtros coloridos para leitura ajudam pessoas com distúrbios de processamento visual ao filtrar ondas de luz indesejadas. Isso permite que o cérebro processe as informações visuais com mais precisão.
Qual cor de fundo é melhor para dislexia?
Textos escuros sobre fundo claro, mas não branco, costumam ser mais indicados para quem tem dislexia. Cores como verde, rosa e vermelho devem ser evitadas, pois podem ser difíceis de distinguir para pessoas com daltonismo. A melhor cor varia de pessoa para pessoa e deve ser testada.
Quais outros usos têm os filtros coloridos?
Filtros ou folhas coloridas são usados apenas para aliviar sintomas de estresse visual. Essa técnica não tem outra finalidade.
Óculos de leitura ajudam a dislexia?
Pessoas com Síndrome de Irlen podem usar óculos com lentes coloridas para ajudar no reconhecimento das letras.

